
A gripe Suína é causada pelo vírus influenza A(H1N1), o mesmo da gripe comum que todo mundo já teve.Então, por que tanta repercussão agora?
O Influenza A é um vírus presente no mundo inteiro que infecta não só humanos, mas também outros mamíferos e aves. Existem vários subtipos (como o A(H1N1)) e entre os subtipos, várias cepas diferentes. A gripe suína é causada por uma nova cepa do subtipo A(H1N1) do vírus Influenza.
O grande problema do vírus Influenza é a sua grande capacidade de mutação, o que faz com que, praticamente a cada ano circule uma nova cepa, causando novas epidemias de gripes.
Nós temos contato frequente com vários subtipos e várias cepas diferentes do Influeza, o que faz com que tenhamos sempre algum grau de imunidade contra os vírus que circulam entre os humanos. As epidemias graves costumam acontecer quando cepas vindas de aves ou outros mamíferos conseguem atravessar a barreira das espécies e contaminar o homem. Normalmente não temos anticorpos contra estas e ficamos mais susceptíveis a infecções.
O mesmo Influenza A(H1N1) foi o responsável pela famosa gripe espanhola no início do século XX, uma pandemia que levou a morte mais de 50 milhões de pessoas ao redor do mundo. A origem da epidemia também parece ter sido cepas originárias de gripes suínas.
No início desta década tivemos a epidemia de gripe aviária, que era causado por outro subtipo de Influenza A, o H5N1
Antes que você entre em pânico e saia correndo para comprar máscaras e estoque de remédios, vale aqui uma explicação.
A gripe sempre causou mortes e internamentos. Só para ilustrar, nos Estados Unidos, anualmente são internadas mais de 200.000 pessoas devido a gripe, e entre 1972 e 1992 foram mais de 400.000 mortes atribuídas a complicações do Influenza. Uma média de 20.000 mortes por gripe anualmente, só nos Estados Unidos. Como se pode ver, morrer de gripe não é nada incomum.
Crianças pequenas, idosos, mulheres grávidas, pessoas debilitadas com outras doenças ou imunossuprimidos são o grupo de maior risco. Estes são os que sofrem as complicações da gripe. Atenção, este é considerado grupo de risco tanto para gripe suína, quanto para gripe comum. A gripe suína neste grupo não é mais grave que a gripe pelo outros vírus influenzas.
Essa cepa do vírus influenza era restrita a porcos e por alguma mutação genética, adquiriu a capacidade de ser transmitida de porcos para homens e de homens para homens. A gripe suína é conhecida na medicina veterinária desde 1930. Existe inclusive vacina para os porcos.
O fato do vírus agora atravessar espécies, pegou nós humanos com o sistema imunológico despreparado, já que o vírus da gripe sazonal é diferente do da gripe suína. Porém, o que teoricamente parecia uma epidemia grave, na prática vem se mostrando muito menos perigosa do se imaginou. Os dados atuais atestam que não há sinais do vírus ser mais perigoso do que os da gripe comum.
A mortalidade tem sido baixa como em qualquer gripe, principalmente naqueles que não estão no grupo de risco descrito acima. Nos E.U.A até agora, a taxa de mortalidade está abaixo do 0,5%. No México, epicentro da epidemia e país com piores condições de saúde pública, a mortalidade é menor que 1%.
Atualização importante em 23/07/09
Devido ao grande número de infecções pouco sintomáticas pelo H1N1, o critério de mortalidade citado acima não mais é confiável. Muitos casos não estão sendo computados simplesmente porque as pessoas não procuram atendimento médico. Isto está substimando o número de casos reias e superestimando a taxa de mortalidade, pois só os casos mais graves estão sendo notificados.
Atenção para este dado que vou relatar agora:
- Até o dia 23/07/09 foram notificados 8.328 casos suspeitos de gripe.
- Desse total, 1.566 (18,8%) foram confirmados para influenza A (H1N1) e 528 (6,34%) para influenza sazonal (gripe comum)
- É importante ressaltar que, dos casos confirmados por gripe comum, 17% dos pacientes apresentaram dificuldade respiratória moderada ou grave, compatível com a definição de síndrome respiratória aguda grave. Até o momento, este índice é menor nos pacientes infectados pelo vírus H1N1: 14,2% apresentaram esse quadro.
- Outro dado importante: O número de atendimentos com casos suspeitos de gripe (suína ou sazonal) de Janeiro até Julho é semelhante ao que ocorre desde 2003 neste mesmo período. O que parece estar acontecendo é apenas uma troca do influenza sazonal pelo H1N1, sem influência no número de casos, na mortalidade ou na taxa de complicações.A atuação da mídia em todo mundo tem sido sensacionalista com destaque em primeira página para cada óbito que ocorre. Se resolvessem cobrir a gripe comum com a mesma intensidade, teriam manchete para o resto da vida.
Todos os anos e em todos os países, centenas de pessoas morrem por complicações da gripe sazonal. Como a gripe suína é nada mais que uma gripe, era mais do que esperado que surgissem mortes decorrentes da contaminação de milhares de pessoas.
TRANSMISSÃO DA GRIPE SUÍNA
A gripe suína é transmitida como qualquer outra gripe, através de secreções respiratórias e das mãos. O primeiro caso foi transmitido através de um porco, porém a epidemia se dá pela transmissão de humano para humano.
Não há riscos de contaminação pela carne do porco. O vírus não sobrevive ao processo de cozimento.
Como a epidemia é muito recente ainda, não se sabe bem o período de incubação, nem durante quanto tempo a pessoa contaminada transmite o vírus. Acredita-se que os dados sejam semelhantes às de outras gripes causadas por outras cepas do A(H1N1), com transmissão indo do dia anterior ao surgimento dos sintomas até 24 horas após a resolução da febre, e um período de incubação de 1 a 7 dias.
A atual recomendação da OMS para aqueles com sintomas gripais é quarentena por pelo menos 7 dias para evitar contágio de outras pessoas.
O uso de máscaras tem sido muito difundido na população, já sendo possível observar algumas pessoas andando na rua vestindo uma. Não há indicação de que máscaras comuns protejam contra a infecção pelo H1N1. As máscaras comuns após algum tempo ficam úmidas devido a respiração e a transpiração, perdendo completamente a sua capacidade de proteção.
O seu uso deve ser restrito a profissionais de saúde em contato com doentes e pessoas do grupo de risco que tenham familiares doentes no mesmo domicilio.
SINTOMAS DA GRIPE SUÍNA
O quadro clínico da gripe suína é muito semelhante ao da gripe comum, com febre, dor de cabeça, tosse, dor de garganta, dores musculares. A única diferença é que pode ocorrer também diarréias e vômitos, o que é pouco comum na gripe simples.Nas crianças pequenas e nos idosos, grupo de risco para as complicações, os sintomas podem ser menos típicos, ocorrendo apenas febre e letargia.
A febre é o sintoma mais importante para o diagnóstico.
Se não há temperaturas maiores que 37,5C praticamente exclui-se o diagnóstico de gripe suína.
As complicações da gripe suína são as mesmas da gripe comum. A principal é a pneumonia, que costuma ser a causa de morte naqueles que evoluem mal.
Pessoas que voltam de viagem de países com altos índices de contaminação devem ficar atentas ao sintomas por pelo menos 10 dias após o regresso. Não há necessidade de quarentena se não houver sintomas, nem mesmo para aqueles que tem familiares doentes em casa.
Quais são os sinais de gravidade ?
- Dificuldade respiratória
- Dor torácica para respirar
- Pressão baixa
- Alterações da consciência
- Desorientação
- Vômitos persistentesTRATAMENTO
Mais uma vez é importante ressaltar que na maioria das pessoas a gripe suína apresenta um quadro leve, semelhante a qualquer gripe, com resolução espontânea.O tratamento com antivirais diminuiu a incidência de complicações e encurta o tempo de doença, favorecendo a quebra da cadeia de transmissão. Por isso, todos os casos suspeitos e confirmados devem ser tratados com antivirais. A principal droga que tem sido usada é o oseltamivir (Tamiflu®), que já era prescrita na gripe comum. O medicamento funciona melhor se tomado nas primeiras 48h de sintomas.
ATENÇÃO, NÃO TOME MEDICAMENTOS POR CONTA PRÓPRIA. ENTE EM CONTATO COM SEU MÉDICO ANTES DE COMEÇAR QUALQUER DROGA.
Não existem trabalhos que atestem a segurança do Tamiflu em grávidas. Porém, devido ao maior número de complicação neste grupo, o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) americano autoriza o uso do Tamiflu em gestantes.
Já existe vacina contra o H1N1 suíno, porém, sua produção não é feita em larga escala pois os casos anteriores de gripe suína eram pouquíssimos e isolados. Deve demorar alguns meses até que se possa produzir quantidades suficientes de vacina para atender toda a população mundial.
Quem tomou a vacina contra gripe parece que já apresenta pelo menos uma imunização parcial, já que o H1N1 humano é semelhante a cepa suína. Quem já pegou gripe suína e se recuperou está imune.
O importante é não criar pânico na população. Até agora não há indícios de que a gripe suína seja mais grave do que as gripes comuns que todos nós temos.
Todas as atenções estão voltadas para se tentar evitar que o vírus circule na população. Primeiro porque quanto mais gente tiver e transmitir o vírus, maior será o número de óbitos. Uma doença com mortalidade baixa, quando atinge milhões de pessoas, causa um número alto de mortes. Segundo porque quanto mais o vírus circula, mais difícil é para idosos e pessoas com sistema imune fraco evitarem a contaminação.

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jul.30,2009
